Revelação - Laura Van Wormer (Trecho)




"... Quando chego na cabana, percebo que o sr. Quimby não aparou a grama. Também noto que há mais de um mês não molho nem podo nada, e que o jardim parece um lixo. Bem, são coisas como essas que posso fazer entre um vídeo e outro. Carrego as malas, as compras e os vídeos até a porta da frente e a destranco. Nada de Scotty. Mamãe deve ter se atrasado. Arrasto as malas para dentro e fico paralisada. A sala de estar e o escritório foram revirados. Lentamente, pouso as compras no chão, e caminho até o telefone para ligar para a polícia.
- Não se mova - escuto uma voz profunda masculina, vinda de trás de mim.
Sinto algo afiado cutucar minhas costas e presumo que seja uma faca.
- Não estou me mexendo - digo.
- Quero o livro - ele diz. - O livro de couro marrom. Onde está?
- Ah, um amigo de Verity. - Faço menção de me virar. Ele agarra meu pescoço e, com violência, me coloca de volta na posição original, de costas para ele. O sujeito deve ser enorme. Sua mãos chegam quase a se fechar ao redor do meu pescoço.
- Onde está?
- Não está mais comigo. Entreguei de volta para a dona em Nova York.
- Vou matar o seu cachorro.
- Meu cachorro? - repito, me virando.
O sujeito é enorme e está usando uma meia de nylon na cabeça. Ele me força a virar novamente.
- Onde está? Juro que vou matar seu cachorro.
- Não está comigo! - grito, perdendo o controle. - Droga, onde está meu cachorro?
Desvencilho-me e consigo empurrá-lo para trás. Pego o dicionário e o arremesso no rosto dele, correndo para a cozinha, onde fecho e tranco a porta de vaivém. Ele derruba a porta com facilidade, mas eu agarrei um cutelo de açougueiro em uma das mãos e uma faca afiada na outra, e isso faz com que ele hesite. É aí que vejo Scotty caído, imóvel no jardim, e corro lá para fora.
- Scotty! - grito, correndo na direção dele. O cachorro não se move. Ajoelho-me ao lado dele e encosto o rosto em seu corpo, junto às costelas. Scotty está respirando, mas há algo de muito errado com ele. Uma mão agarra o meu cabelo, e puxa minha cabeça para trás com violência, fazendo com que eu solte um grito de dor.
- Me entregue o livro e eu vou embora.
- Eu o devolvi à pessoa que o escreveu!
Tento empurrar a mão dele, e meu atacante desfere uma pancada em minha cabeça. De repente meu rosto está no chão, ao lado do de Scotty.
Escuto um barulho surdo, e de repente a pressão na parte de trás da minha cabeça desaparece. O corpo do homem desaba no chão ao meu lado. Vejo um outro homem, um desconhecido, de pé sobre nós, virando o ladrão e arrancando a meia de nylon de sua cabeça. Ele amarra as mãos do ladrão nas costas com a meia. Depois, se ajoelha ao meu lado e me ajuda a sentar. Isto não está acontecendo. Estou em choque, e o mundo gira. Fecho os olhos e ele me deita no chão de novo.
- Vou ligar para a emergência - o homem avisa, correndo para dentro da casa.
Abro os olhos e vejo Scotty. Arrasto-me para perto dele, tentando tocá-lo. Ele mal respira.
O homem volta correndo.
- Ele fez algo com meu cachorro - choramingo.
- Provavelmente o drogou. Temos de fazer com que ele se mexa.
Ele pega Scotty no colo - o que não é fácil, já que ele pesa mais de trinta e cinco quilos -, e observo o desconhecido carregar Scotty até a bica do lado de fora, na qual uma mangueira está conectada. Ele abre a torneira e tenta reviver Scotty, molhando-o com a água da mangueira.
- Não deixe que a água entre no nariz dele! - grito, em meio aos soluços.
- Pode deixar - o homem promete, e volta a molhar Scotty com a água fria que vem do poço. - Os olhos dele estão se abrindo - ele grita.
Depois de muito cutucar, molhar e empurrar Scotty, ele já quase consegue ficar de pé, desde que o homem o amparre. Com os braços debaixo do peito do cachorro, o homem o a ajuda a andar. Scotty perde as forças, mas o desconhecido não desiste, forçado o cachorro a acompanhá-lo.
O ladrão começa a fazer alguns ruídos, mas não quero falar nada para o desconhecido, para que ele não pare de ajudar Scotty. Forço-me a sentar. Quando o faço, percebo a terrível ferida na nuca do assaltante e o sangue que escorre dela. Este sujeito não vai a lugar algum.
Escuto as sirenes ao longe, e o desconhecido grita.
- Ele está ouvindo! As orelhas se mexeram.
Ele continua a andar e a arrastar Scotty, e logo vejo um carro da polícia, e depois outro, e uma ambulância mais atrás. Logo estamos cercados por gente uniformizada. Um dos paramédicos corre para o ladrão e outro para mim. Instantes depois, um carro atravessa o gramado, e para a poucos metros de onde estou. Buddy e outro homem a paisana saem do carro.
- Não se mexa - manda o paramédico. - Você tem uma ferida na cabeça.
- Eu estou bem - insisto. - Por favor, ajude meu cachorro. O ladrão o envenenou ou coisa parecida. - Tento me sentar e empurrar o paramédico. - Por favor.
O paramédico olha para o policial que se ajoelha ao meu lado, tocando de leve nas minhas costas.
- Você tem de ficar quieta - ele diz.
Buddy se agacha do outro lado, querendo saber o que aconteceu. Tropeço nas palavras, tentando explicar que tudo isso diz respeito a algo que está em Nova York. Não tem nada a ver com o que está acontecendo em Castleford.
- Ele estava tentando recuperar algumas provas que eu tinha para a história que estava escrevendo.
- Ah, ótimo - Buddy resmunga, olhando sem encostar em mim, o lado da minha cabeça. - Gente fina esse pessoal com quem você anda em Nova York.
- Aquele homem com Scotty - digo. - Foi ele quem me salvou, Buddy.
Ao meu lado, eles já colocaram o ladrão numa maca. Colocaram ataduras em sua cabeça e uma sonda intravenosa no braço. Um outro policial está perto dele, quase gritando:
- O que você deu para o cachorro?
Uma policial feminina segura Scotty enquanto um paramédico o examina.
- Não sei quem é aquele homem - digo para Buddy - nem de onde veio. Também não sei de onde o ladrão veio. Não havia carros por perto, mas ele estava dentro da minha casa quando cheguei.
Um outro policial vem avisar Buddy de que encontraram uma motocicleta sem placas no campo, do outro lado da mata.
- Verifiquem Bafter's Lane - diz Buddy. - Vejam se conseguem encontrar o carro deste bandido por lá.
- O que foi? - grita o policial debruçado sobre o ladrão, curvando-se para escutar melhor. O policial se endireita. - Valium! - grita para o paramédico. - Ele disse que deu Valium para o cahorro.
O paramédico já está com um tubo enfiado na garganta de Scotty para fazer uma lavagem estomacal. Não posso nem olhar. O homem que me salvou se aproxima. Deve ter uns trinta anos de idade, talvez trinta e muitos, tem cabelos escuros, olhos escuros, e é bem feito de corpo. Ele se agacha ao lado de Buddy e sorri para mim.
- Seu cachorro vai ficar bom.
- Obrigada - sussurro.
Buddy fita o homem.
_ Onde diabos você esteve?
- Bem - diz o desconhecido -, estou aqui agora. E é isso que importa, não é?
Não faço a mínima idéia do que está acontecendo. Tenho dificuldade em raciocinar.
Buddy também fica de pé.
- Sally - ele diz, olhando para mim, antes de voltar o olhar para o homem -, Conheça Johnny Boy Meyers.
Johnny sorri para mim.
- Já faz muito tempo, Sally, mas é bom vê-la. Você se parece muito com a sua mãe.
Escuto um zumbido na minha cabeça e as luzes começam a ficar amareladas. No instante seguinte, tudo escurece."


5 comentários:

  1. Deixei Meme proces no meu brógui. Bjim!

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  2. Oi Rafa!!!
    Passa lá no meu blog, pois deixei um meme para vc!

    Bjim!

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  3. Tem selo pra você lá no Meninas Maldosas!
    Aparece!
    Um xero!

    www.meninasmaldosas.blogspot.com

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  4. Rafinha, Como vc está?
    Estás bem?
    Vc sumiu e me dx realmente preocupada contigo, menina! Espero que estejas bem, de coração!

    Dx selinho e meme pra vc no meu blog hein?
    Coisas da Flavita, tá?
    Bjkas

    PS: Aparece guria!

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