Proteja-me - Juliette Fay




Sinopse:

Quatro meses após a morte do marido, Janie LaMarche continua tomada pela dor e pela raiva. Seu luto é interrompido, no entanto, pela chegada inesperada de um construtor com um contrato em mãos para a obra de uma varanda em sua casa. Surpresa, Janie descobre que a varanda era para ser um presente de seu marido — tornando-se, agora, seu último agrado para ela.

Conforme Janie permite, relutantemente, que a construção comece, ela se apega aos assuntos paralelos à sua tristeza: cuidando de seus dois filhos de forma violentamente protetora, ignorando amigos e família e se afundando em um sentimento de ira do qual não consegue se livrar. Mesmo assim, o isolamento autoimposto de Janie é quebrado por um grupo de intervenções inconvenientes: sua tia faladeira e possessiva, sua vizinha mandona, seu primo fofinho e até Tug, o empreiteiro.

Quando a varanda vai tomando forma, Janie descobre que o território desconhecido do futuro fica melhor com a ajuda dos outros. Até daqueles com os quais menos esperamos contar.


Minha Opinião:

Proteja-me de Juliette Fay, fala sobre o luto e a perda de quem se ama e como passar por esse processo de aceitação e de aprender a seguir em frente com a ajuda da família, amigos e aqueles que lhe amam pode tornar essa carga de tristeza, raiva e dor um pouco mais leve. E acompanhar essa jornada da protagonista, Janie, em busca de recuperar o sentido da vida, a esperança no futuro e a paz de espírito, é, além de emocionante, uma lição de vida.

Eu tinha uma impressão errada sobre esse livro, pensava: "Ah, mais um drama sobre morte e como superar a perda e tal." Quando escolhi ele pra ler: "Vou ler agora e chorar um bocado." Resultado: ele me surpreendeu totalmente (pelo lado positivo)!!! *-*
Não é só um livro sobre luto e como superá-lo, é isso também, mas o diferencial dele é a forma em que a autora trata o assunto; a Janie sofre e muito e tem seus momentos de depressão, mas ela encara tudo, a maior parte do tempo, com muita raiva e sarcasmo, se comportando de maneira detestável com a família e com todos aqueles que querem ajudá-la de algum jeito tanto a seguir em frente como a resolver os problemas que vão aparecendo e ela não dá nenhuma abertura para isso.

Eu, sinceramente, achei que ia odiar a personagem, porque, apesar de estar sofrendo, ela não tinha o direito de ser tão insuportável com quem só tinha as melhores intenções em auxiliá-la e apoiá-la; os outros não tinham culpa do que aconteceu e não era justo descontar o sofrimento em quem não merecia. Mas ao mesmo tempo, o livro é tão bem escrito, que eu consegui não só entender - não digo aprovar, mas entender - o que se passava pela cabeça da personagem, via que ela não queria fazer aquilo intencionalmente só que a raiva era tanta que ela se revoltava e acabava fazendo e principalmente, acho que o que me fez não detestar a Janie foi o humor do livro. Sim, por incrível que pareça, devido ao tema, a história tem bastante humor. Mas você pode estar pensando: "Mas humor? Num livro sobre morte? Isso é um desrespeito com o tema, não?" E eu digo: não por causa da forma em que a autora coloca esse humor durante o livro. É tão bem desenvolvido e esses momentos divertidos - chamemos assim, porque eles não chegam a serem propriamente engraçados, no sentido de arrancar risadas - são tão bem encaixados e justificados na trama que ela acaba ficando até leve, eles aliviam todo o livro do clima pesado que o assunto traz sem com que se transforme em algo leviano e acho que foi essa a intenção da autora ao colocá-los em Proteja-me, e se foi, foi muito bem sucedida porque deu certo.

Me diverti com vários pensamentos e atitudes da Janie, principalmente quando ela interagia com a família, que é ótima (tirando a mãe dela rs), com a vizinha, a mãe do amiguinho do filho dela e com o empreiteiro responsável pela construção da varanda. E também me emocionei (cheguei a chorar num trecho perto do final que fala sobre perdão que foi completamente lindo, foi o momento mais forte do livro). Foi muito bonito acompanhar esse processo de como ela começa a se abrir pra vida e deixar aqueles que se importam e a amam participarem da sua vida, entrarem no seu coração e ajudarem a curá-lo do sofrimento, mesmo que a saudade sempre esteja presente.
Se você quiser ler um drama sobre o assunto, eu considero esse um muito bom. Foi uma excelente surpresa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá, deixe seu comentário que irei adorar ler!

Não são permitidos spams ou comentários ofensivos de qualquer tipo, os últimos serão excluídos sem hesitação. Respeito todo mundo gosta, né? :)

No mais ficarei feliz em (assim que possível) responder qualquer dúvida aqui nos comentários.

Bjs,
Rafaela